Nesta quinta-feira (28), o Amazonas recebeu o reforço de 1.000 novos policiais militares na corporação da Polícia Militar do estado (PM-AM). A cerimônia de integração, realizada em Manaus, foi celebrada pelas autoridades estaduais como um marco para a segurança pública. No entanto, a medida levanta questionamentos sobre sua eficácia diante do cenário de violência que assola a capital e o interior.
Criminalidade em alta: um desafio persistente
Manaus tem enfrentado índices alarmantes de violência nos últimos anos. Crimes como assaltos, homicídios e tráfico de drogas se intensificaram, colocando a cidade entre as mais violentas do Brasil. Dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Amazonas tem uma das maiores taxas de homicídios do país, com destaque para conflitos relacionados ao tráfico de entorpecentes.
A chegada dos novos policiais é vista como uma tentativa de frear a criminalidade, mas especialistas avaliam que apenas o aumento no efetivo pode não ser suficiente. Segundo o professor de Segurança Pública da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Carlos Vasconcelos, “a entrada de novos policiais é positiva, mas precisa estar acompanhada de investimentos em inteligência policial e na melhoria das condições de trabalho da corporação”.
Reforço é suficiente? Especialistas opinam
O deputado estadual Ricardo Oliveira (PSB), presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas, destacou que o reforço é importante, mas questionou a ausência de estratégias integradas. “Precisamos de uma política de segurança pública mais ampla. Os novos policiais são bem-vindos, mas sem planejamento estratégico, continuaremos enxugando gelo”, afirmou o parlamentar.
Especialistas também apontam a necessidade de investir em tecnologia e integração entre as forças de segurança. “O Amazonas é um estado de dimensões continentais, com municípios isolados e acesso difícil. Sem infraestrutura e inteligência, o reforço no efetivo pode não alcançar as áreas mais críticas”, ressaltou a pesquisadora em segurança pública Maria Clara Souza.
População comemora, mas mantém cautela
Moradores de Manaus expressaram alívio com o reforço, mas muitos ainda se mostram receosos quanto aos impactos reais na segurança do dia a dia. “Espero que esses novos policiais estejam nas ruas e não apenas em eventos. Estamos cansados de promessas”, afirmou João Ribeiro, morador do bairro Cidade Nova, uma das regiões mais afetadas pela violência.
Cenário exige mais que efetivo: o que precisa mudar?
A integração dos 1.000 novos policiais é uma ação que demonstra o esforço do governo estadual para enfrentar a criminalidade, mas há uma série de desafios estruturais que ainda precisam ser resolvidos:
- Melhoria no policiamento ostensivo: a presença da PM nas ruas é limitada em muitas áreas de Manaus e no interior.
- Investimentos em inteligência: o combate ao crime organizado depende de operações baseadas em dados e análises estratégicas.
- Apoio às áreas isoladas: municípios no interior sofrem com a falta de policiamento e alta vulnerabilidade ao crime.
Enquanto isso, a população segue cobrando mais transparência e eficiência nas ações de segurança pública.
Próximos passos
Os novos policiais já foram alocados em batalhões estratégicos de Manaus e devem começar a atuar nos próximos dias. Resta saber se essa ação será capaz de reverter os altos índices de violência ou se será mais uma medida paliativa em um cenário que demanda soluções estruturais e de longo prazo.