MPF e MP-AM recomendam regularização no abastecimento de medicamentos no Amazonas

A recomendação conjunta destaca irregularidades na Central de Medicamentos do Amazonas e aponta soluções para melhorar a assistência farmacêutica no estado.

por mbmktcom@gmail.com

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) emitiram a Recomendação Conjunta nº 22/2024, exigindo a regularização dos repasses financeiros para a Central de Medicamentos do Amazonas (CEMA). A medida busca sanar a falta de medicamentos e produtos para saúde na rede pública estadual, que tem causado impactos diretos no atendimento à população.

A recomendação inclui a necessidade de implementação de sistemas eficientes para controle integrado de estoques, o que permitiria maior transparência e gestão sobre os insumos farmacêuticos.

Irregularidades apontadas

Uma inspeção recente revelou problemas graves, como a precariedade no sistema de controle de estoques da CEMA e a ausência de integração com as unidades de saúde. Dados apresentados pelo MP indicam que o Tesouro Estadual deixou de repassar quase R$ 200 milhões em 2023 e mais de R$ 93 milhões em 2024, comprometendo o abastecimento e a assistência farmacêutica.

Entre as demandas não atendidas, destacam-se medicamentos classificados como imprescindíveis (categoria Z), necessários para a continuidade de tratamentos críticos.

Impactos para a população

Pacientes relatam dificuldades no acesso a medicamentos essenciais e tratamentos, especialmente em unidades de média e alta complexidade. Protestos e reclamações foram registrados em Manaus e cidades vizinhas, evidenciando a urgência de medidas efetivas.

“Essa situação compromete não apenas a saúde da população, mas também a credibilidade das políticas públicas no estado”, destacou um representante do MPF durante a divulgação da recomendação.

Medidas recomendadas

O documento sugere ações concretas, como:

  • Regularização dos repasses financeiros até dezembro de 2024.
  • Implementação de sistemas integrados entre a CEMA e unidades de saúde.
  • Publicação periódica de relatórios de controle de medicamentos e insumos.
  • Revisão orçamentária para incluir valores não repassados nos últimos dois anos.

Além disso, os MPs pedem que o governo estadual apresente um diagnóstico detalhado sobre os impedimentos técnicos que têm prejudicado os repasses e garantias para a aquisição de insumos prioritários.

O que esperar daqui para frente?

A Recomendação Conjunta estabelece um prazo de até 10 dias para que as autoridades respondam sobre o acatamento das medidas. Caso contrário, o MPF e o MP-AM podem adotar ações judiciais para assegurar a regularização do abastecimento de medicamentos no Amazonas.

A crise no fornecimento de medicamentos expõe não apenas problemas estruturais na gestão pública, mas também a urgência de reformas para garantir o direito à saúde da população.

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